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	<title>Comments on: O Fantástico Argumento de Santo Anselmo</title>
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	<description>Porque só o indivíduo tem consciência</description>
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		<title>By: Sergio de Biasi</title>
		<link>http://www.oindividuo.org/2009/07/12/o-fantastico-argumento-de-santo-anselmo/comment-page-1/#comment-876</link>
		<dc:creator>Sergio de Biasi</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Aug 2009 01:59:11 +0000</pubDate>
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		<description>Não, não conheço Aurélio Moraes.

Mas só para constar, ao contrário do Pedro, eu nunca fui aluno de Olavo de Carvalho.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Não, não conheço Aurélio Moraes.</p>
<p>Mas só para constar, ao contrário do Pedro, eu nunca fui aluno de Olavo de Carvalho.</p>
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		<title>By: Fabiano Costa</title>
		<link>http://www.oindividuo.org/2009/07/12/o-fantastico-argumento-de-santo-anselmo/comment-page-1/#comment-803</link>
		<dc:creator>Fabiano Costa</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 15 Aug 2009 13:30:58 +0000</pubDate>
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		<description>Uma pequena curiosidade: Você já ouviu falar do Aurélio Moraes? Se sim, o que acha dele? Se não, saiba que é um dos ateus militantes mais famosos da internet no Brasil e detrator consumado de seu ex-professor Olavo de Carvalho.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Uma pequena curiosidade: Você já ouviu falar do Aurélio Moraes? Se sim, o que acha dele? Se não, saiba que é um dos ateus militantes mais famosos da internet no Brasil e detrator consumado de seu ex-professor Olavo de Carvalho.</p>
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		<title>By: A diferença pela semelhança: como &#8220;converter&#8221; o ateísmo em uma crença &#124; Relances</title>
		<link>http://www.oindividuo.org/2009/07/12/o-fantastico-argumento-de-santo-anselmo/comment-page-1/#comment-820</link>
		<dc:creator>A diferença pela semelhança: como &#8220;converter&#8221; o ateísmo em uma crença &#124; Relances</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jul 2009 19:40:08 +0000</pubDate>
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		<description>[...] discussão no post do Sérgio de Biasi (amigo de Pedro Sette Câmara) toca em alguns pontos discutidos neste post. Já a refutação [...]</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] discussão no post do Sérgio de Biasi (amigo de Pedro Sette Câmara) toca em alguns pontos discutidos neste post. Já a refutação [...]</p>
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		<title>By: Sergio de Biasi</title>
		<link>http://www.oindividuo.org/2009/07/12/o-fantastico-argumento-de-santo-anselmo/comment-page-/#comment-875</link>
		<dc:creator>Sergio de Biasi</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2009 02:46:55 +0000</pubDate>
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		<description>Oi Ricardo,

Excelentes links!

Saudações,
Sergio</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Oi Ricardo,</p>
<p>Excelentes links!</p>
<p>Saudações,<br />
Sergio</p>
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	<item>
		<title>By: Ricardo Avillez</title>
		<link>http://www.oindividuo.org/2009/07/12/o-fantastico-argumento-de-santo-anselmo/comment-page-1/#comment-874</link>
		<dc:creator>Ricardo Avillez</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jul 2009 22:28:17 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://oindividuo.org/?p=1080#comment-874</guid>
		<description>Pessoal,

para quem se interessar em aprofundar a discussão a respeito do argumento ontológico para a existência de Deus, o professor Peter Suber, do Earlham College, levanta algumas questões pertinentes aqui http://www.earlham.edu/~peters/courses/re/onto-arg.htm . Neste argumento ele faz uso não apenas da lógica tradicional, mas também da lógica modal. Se vocês são como eu e não fazem a menor idéia do que é lógica modal, então a página da Wiki pode servir de introdução
 http://en.wikipedia.org/wiki/Modal_logic .

Para aqueles que querem se deter no argumento ontológico tal como foi formulado inicialmente por Santo Anselmo, este texto no JSTOR parece interessante http://www.jstor.org/pss/2184310 . Infelizmente, o acesso ao texto na íntegra não é gratuito.

Abraços,

Ricardo Avillez</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Pessoal,</p>
<p>para quem se interessar em aprofundar a discussão a respeito do argumento ontológico para a existência de Deus, o professor Peter Suber, do Earlham College, levanta algumas questões pertinentes aqui <a href="http://www.earlham.edu/~peters/courses/re/onto-arg.htm" rel="nofollow">http://www.earlham.edu/~peters/courses/re/onto-arg.htm</a> . Neste argumento ele faz uso não apenas da lógica tradicional, mas também da lógica modal. Se vocês são como eu e não fazem a menor idéia do que é lógica modal, então a página da Wiki pode servir de introdução<br />
 <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Modal_logic" rel="nofollow">http://en.wikipedia.org/wiki/Modal_logic</a> .</p>
<p>Para aqueles que querem se deter no argumento ontológico tal como foi formulado inicialmente por Santo Anselmo, este texto no JSTOR parece interessante <a href="http://www.jstor.org/pss/2184310" rel="nofollow">http://www.jstor.org/pss/2184310</a> . Infelizmente, o acesso ao texto na íntegra não é gratuito.</p>
<p>Abraços,</p>
<p>Ricardo Avillez</p>
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		<title>By: Sergio de Biasi</title>
		<link>http://www.oindividuo.org/2009/07/12/o-fantastico-argumento-de-santo-anselmo/comment-page-1/#comment-873</link>
		<dc:creator>Sergio de Biasi</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jul 2009 21:20:04 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://oindividuo.org/?p=1080#comment-873</guid>
		<description>&lt;blockquote&gt;Uma outra observação: você deturpa minhas palavras me acusando de ser um maria-vai-com-as-outras e que acho necessário alguém me dizer o que é certo. Ora, para alguém que gosta da lógica, você deu um salto meio grande, não?&lt;/blockquote&gt;

Ora, meu raciocínio é simples. Ou as coisas que você diz achar certas vêm da sua consciência (mesmo que seja concordando com alguém cujos argumentos você ouviu e avaliou como corretos), ou então as coisas que você diz que acha certas são repetições de regras e preceitos que você concordou formalmente em achar certos por quais motivos seja. Não dá pra ser os dois ao mesmo tempo.

Suponhamos por exemplo que o papa decida oficialmente que apedrejar homossexuais é ótimo. Ou você vai repetir por aí que isso é ótimo ou não vai. Se não vai, parabéns pela sua independência moral, mas nesse caso por que você precisa da igreja católica lhe dizendo o que é certo? Por outro lado, se você vai, então de fato, você está abrindo mão de decidir o que é certo. Não é crível que absolutamente tudo que o papa diga, inclusive no futuro, seja algo com que você concorde ou passe a concordar. Então se você segue os preceitos da igreja católica sobre o que é certo e errado, ou você está afirmando ser tão inspirado quanto o papa e em sincronia com ele (caso em que novamente você não precisa da igreja lhe dizendo o que é certo) ou você está abrindo mão de julgar por si mesmo e simplesmente fazendo o que a igreja lhe disse para fazer. Que, aliás, é precisamente o que a igreja lhe pede e espera que você faça. Então sendo esse o caso, sim, você achou necessário delegar a alguém o poder de lhe dizer o que é certo.

&lt;blockquote&gt;Em nenhum momento afirmei que é preciso ter as mesmas opiniões dos outros, ou que a liberdade de alguém escolher seus próprios princípios deva ser tolhida.&lt;/blockquote&gt;

Quem afirma isso são quase todas as religiões, e explicitamente. Especialmente a primeira parte. A segunda já foi mais forte e está um pouco mais impopular atualmente. Mas ainda impera em grandes partes do mundo.

&lt;blockquote&gt;Apenas acho prudente, pelo menos, procurar entender as diversas opiniões sobre um determinado assunto para, então, construir seus valores.&lt;/blockquote&gt;

Ué, eu também acho. As religiões em sua maioria por outo lado dizem &quot;Não, não é nada disso. Simplesmente acredite nesta lista de coisas aqui.&quot;

&lt;blockquote&gt;A decisão de acolhimento ou não de uma idéia sempre será do indivíduo.&lt;/blockquote&gt;

Em última instância, sem dúvida! Mas as religiões buscam que esse acolhimento ocorra acriticamente. E não me venham dizer que os dogmas religiosos são aceitos criticamente, porque isso é um total oxímoro.

&lt;blockquote&gt;Agora, se uma grande parte das pessoas tem uma mesma opinião, você não acha que é prudente escutá-la, que esse fato não coloca essa idéia no rol de decisão,&lt;/blockquote&gt;

Escutá-la, talvez. É evidência circunstancial, sem dúvida. E em sendo popular acaba se tornando relevante no mínimo torna-se conhecê-la. Mas automaticamente no rol de decisão? De forma alguma.

&lt;blockquote&gt;principalmente quando se avalia assuntos que a lógica não determina?&lt;/blockquote&gt;

Principalmente se forem assuntos que não são determinados pela lógica?

Você está seriamente dizendo que se todo mundo resolver virar nazista ou fazer piercing na testa ou amputar uma perna você vai colocar isso no seu rol de decisão?

O pior é que isso que você está dizendo de fato é rigorosamente verdade da maioria das pessoas, eu apenas não esperava que fosse defendido explicitamente.

Saudações,
Sergio</description>
		<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Uma outra observação: você deturpa minhas palavras me acusando de ser um maria-vai-com-as-outras e que acho necessário alguém me dizer o que é certo. Ora, para alguém que gosta da lógica, você deu um salto meio grande, não?</p></blockquote>
<p>Ora, meu raciocínio é simples. Ou as coisas que você diz achar certas vêm da sua consciência (mesmo que seja concordando com alguém cujos argumentos você ouviu e avaliou como corretos), ou então as coisas que você diz que acha certas são repetições de regras e preceitos que você concordou formalmente em achar certos por quais motivos seja. Não dá pra ser os dois ao mesmo tempo.</p>
<p>Suponhamos por exemplo que o papa decida oficialmente que apedrejar homossexuais é ótimo. Ou você vai repetir por aí que isso é ótimo ou não vai. Se não vai, parabéns pela sua independência moral, mas nesse caso por que você precisa da igreja católica lhe dizendo o que é certo? Por outro lado, se você vai, então de fato, você está abrindo mão de decidir o que é certo. Não é crível que absolutamente tudo que o papa diga, inclusive no futuro, seja algo com que você concorde ou passe a concordar. Então se você segue os preceitos da igreja católica sobre o que é certo e errado, ou você está afirmando ser tão inspirado quanto o papa e em sincronia com ele (caso em que novamente você não precisa da igreja lhe dizendo o que é certo) ou você está abrindo mão de julgar por si mesmo e simplesmente fazendo o que a igreja lhe disse para fazer. Que, aliás, é precisamente o que a igreja lhe pede e espera que você faça. Então sendo esse o caso, sim, você achou necessário delegar a alguém o poder de lhe dizer o que é certo.</p>
<blockquote><p>Em nenhum momento afirmei que é preciso ter as mesmas opiniões dos outros, ou que a liberdade de alguém escolher seus próprios princípios deva ser tolhida.</p></blockquote>
<p>Quem afirma isso são quase todas as religiões, e explicitamente. Especialmente a primeira parte. A segunda já foi mais forte e está um pouco mais impopular atualmente. Mas ainda impera em grandes partes do mundo.</p>
<blockquote><p>Apenas acho prudente, pelo menos, procurar entender as diversas opiniões sobre um determinado assunto para, então, construir seus valores.</p></blockquote>
<p>Ué, eu também acho. As religiões em sua maioria por outo lado dizem &#8220;Não, não é nada disso. Simplesmente acredite nesta lista de coisas aqui.&#8221;</p>
<blockquote><p>A decisão de acolhimento ou não de uma idéia sempre será do indivíduo.</p></blockquote>
<p>Em última instância, sem dúvida! Mas as religiões buscam que esse acolhimento ocorra acriticamente. E não me venham dizer que os dogmas religiosos são aceitos criticamente, porque isso é um total oxímoro.</p>
<blockquote><p>Agora, se uma grande parte das pessoas tem uma mesma opinião, você não acha que é prudente escutá-la, que esse fato não coloca essa idéia no rol de decisão,</p></blockquote>
<p>Escutá-la, talvez. É evidência circunstancial, sem dúvida. E em sendo popular acaba se tornando relevante no mínimo torna-se conhecê-la. Mas automaticamente no rol de decisão? De forma alguma.</p>
<blockquote><p>principalmente quando se avalia assuntos que a lógica não determina?</p></blockquote>
<p>Principalmente se forem assuntos que não são determinados pela lógica?</p>
<p>Você está seriamente dizendo que se todo mundo resolver virar nazista ou fazer piercing na testa ou amputar uma perna você vai colocar isso no seu rol de decisão?</p>
<p>O pior é que isso que você está dizendo de fato é rigorosamente verdade da maioria das pessoas, eu apenas não esperava que fosse defendido explicitamente.</p>
<p>Saudações,<br />
Sergio</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: Sergio de Biasi</title>
		<link>http://www.oindividuo.org/2009/07/12/o-fantastico-argumento-de-santo-anselmo/comment-page-/#comment-872</link>
		<dc:creator>Sergio de Biasi</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jul 2009 20:19:37 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://oindividuo.org/?p=1080#comment-872</guid>
		<description>&lt;blockquote&gt;Como você sugere que eu decida o que é certo? Não é preciso decidir com base em alguma justificativa, mesmo que essa justificativa seja o próprio conceito do que é certo?&lt;/blockquote&gt;

Importantíssima questão, claro. E sem dúvida, seria extremamente reconfortante encontrar alguma fórmula, alguma teoria, alguma receita, algum jeito seguro para respondê-la. Infelizmente quanto mais rigorosamente tentamos fazer isso, mais o conceito nos escapa por entre os dedos. No final das contas, e acho que com os religiosos concordarão, embora daí tirem conclusões diferentes de mim, não existe justificativa racional para a ética.

Só que o problema é mais profundo e mais grave do que esse. Não existe justificativa racional não apenas para agir generosamente, ou com justiça, mas para fazer qualquer coisa. Não existe justificativa lógica para levantar de manhã e tomar os passos necessários para permanecer vivo. Não existe motivo racional algum para ter amigos, para se casar, para estudar, para ter filhos, para fazer absolutamente nada. Não existe justificativa racional sequer para ser egoísta. Nossos comportamentos cotidianos (como pagar a conta de luz) parecem até razoavelmente racionais porque damos como axiomas esses objetivos irracionais. Mas eles não têm qualquer justificativa *lógica*. Queremos permanecer vivos, querermos nos alimentar, querermos companhia, querermos sexo - nada disso é baseado em nenhum objetivo racional, em nenhuma lógica, em nenhuma profunda reflexão. Nós simplesmente queremos.

Infelizmente, isso é uma base muito intelectualmente insatisfatória para fundamentar um sistema de valores. Na verdade, é pior do que só intelectualmente insatisfatória - é existencialmente insatisfatória. Nós ficamos inteligentes demais para nosso próprio bem. Somos capazes de olhar para nós mesmos e perceber que nossos vão desejos - aqueles que nos mantêm prósperos e bem-sucedidos como espécie - não fazem qualquer sentido. Então precisamos de uma justicativa, ansiamos por uma justificativa. Mas a verdade é que ela não existe. Nós queremos intensamente as coisas irracionais que queremos porque, bem - aqueles entre nós que não queriam não proliferaram e desapareceram nas areias do tempo.

Só que isso é no máximo uma explicação causal. É uma explicação para de onde vieram nossos desejos irracionais. Isso continua ainda não dizendo nada sobre como lidar com o problema de que para nós eles são muito reais e recheados de relevância. Note, eu perceber que não há qualquer motivo lógico para não pular do alto de um prédio não faz com que automaticamente eu queira fazer isso. Apenas me dá a clareza introspectiva de enxergar que os motivos pelos quais eu não pulo do alto de um prédio não são de forma alguma racionais. São baseados em sentimentos. Eu quero permanecer vivo, e não preciso de argumento ou justificativa para isso.

Agora, voltando então à questão do certo ou errado, ela é similar. Existe uma solução certa para a equação &quot;2x+2=6&quot; que é universal e eterna e não depende do que ninguém acha, que absolutamente, simplesmente é. Mas não existe uma solução logicamente &quot;certa&quot; para &quot;devo matar outros seres humanos?&quot;. Existem sentimentos sobre isso, sentimentos que todos compartilhamos em maior ou menos grau, mas que são únicos para cada pessoa. E esses sentimentos são o único fundamento possível para a consciência moral. Porque um grupo não sente, um livro não sente, a lógica não sente. Só quem sente são pessoas. E não querer matar os outros não é questão de lógica, é questão de sentimento. Buscar então projetar justificativas disso fora de nós mesmos leva a todo tipo de aberrações e besteiras.

Assim sendo, eu sugiro que não existe outra forma legítima de decidir o que é certo senão usar seus sentimentos, que lhe dizem o que lhe soa bom, aliados à sua razão, que lhe permite buscar compreender como o mundo funciona, assim como as conseqüencias de suas ações. Se isso calhar de coincidir com o que outros dizem, ótimo. Há concordância. Mas não *porque* alguém disse que tinha que ser assim.

E se isso não parece base para um sistema filosófico, não é mesmo. Porque bondade, como os religiosos não se cansam de dizer, NÃO É RACIONAL. Disso eu concluo que devemos fazer as pazes com o fato de que queremos (bem, alguns de nós) ser &quot;bons&quot; apesar de isso ser irracional, e não ser logicamente definível ou justificável. Os religiosos, por outro lado, tendem a concluir JÁ QUE NÃO É RACIONAL, vamos sistematizá-la, axiomatizá-la, dogmatizá-la, uniformizá-la, justificá-la, pasteurizá-la. Como? Isso é precisamente o oposto do que se deve fazer depois que se percebe que ser altruísta não é racional. O que você deve fazer é as pazes com o fato de que quer ser altruísta apesar de isso não ser racional e freqüentemente não no seu melhor interesse sob outros aspectos. E que em sendo irracional, não existe uma resposta &quot;certa&quot;. Existe o que você sente sobre isso. Assim como sobre um montão de outras coisas. Aliás, precisamente as que nos tornam humanos ao invés de robôs.

Então, sem nenhum sarcasmo, e falando seríssimamente, eu sugiro que você decida o que é certo usando sua consciência.

Saudações,
Sergio

Adendo : Sobre o argumento &quot;Comunistas são ateus, comunistas são maus =&gt; ateus são maus&quot; não fazer sentido (que é p-&gt;q, p-&gt;r &#124;- p-&gt;r (errado)), eu fui dar uma olhada sobre quando tinha escrito sobre isto no passado e achei, está &lt;a href=&quot;http://oindividuo.org/2009/04/04/the-atheists-are-revolting/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;. Agora, achei mas não reli, então não me lembro de quão extensamente falo sobre isso.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Como você sugere que eu decida o que é certo? Não é preciso decidir com base em alguma justificativa, mesmo que essa justificativa seja o próprio conceito do que é certo?</p></blockquote>
<p>Importantíssima questão, claro. E sem dúvida, seria extremamente reconfortante encontrar alguma fórmula, alguma teoria, alguma receita, algum jeito seguro para respondê-la. Infelizmente quanto mais rigorosamente tentamos fazer isso, mais o conceito nos escapa por entre os dedos. No final das contas, e acho que com os religiosos concordarão, embora daí tirem conclusões diferentes de mim, não existe justificativa racional para a ética.</p>
<p>Só que o problema é mais profundo e mais grave do que esse. Não existe justificativa racional não apenas para agir generosamente, ou com justiça, mas para fazer qualquer coisa. Não existe justificativa lógica para levantar de manhã e tomar os passos necessários para permanecer vivo. Não existe motivo racional algum para ter amigos, para se casar, para estudar, para ter filhos, para fazer absolutamente nada. Não existe justificativa racional sequer para ser egoísta. Nossos comportamentos cotidianos (como pagar a conta de luz) parecem até razoavelmente racionais porque damos como axiomas esses objetivos irracionais. Mas eles não têm qualquer justificativa *lógica*. Queremos permanecer vivos, querermos nos alimentar, querermos companhia, querermos sexo &#8211; nada disso é baseado em nenhum objetivo racional, em nenhuma lógica, em nenhuma profunda reflexão. Nós simplesmente queremos.</p>
<p>Infelizmente, isso é uma base muito intelectualmente insatisfatória para fundamentar um sistema de valores. Na verdade, é pior do que só intelectualmente insatisfatória &#8211; é existencialmente insatisfatória. Nós ficamos inteligentes demais para nosso próprio bem. Somos capazes de olhar para nós mesmos e perceber que nossos vão desejos &#8211; aqueles que nos mantêm prósperos e bem-sucedidos como espécie &#8211; não fazem qualquer sentido. Então precisamos de uma justicativa, ansiamos por uma justificativa. Mas a verdade é que ela não existe. Nós queremos intensamente as coisas irracionais que queremos porque, bem &#8211; aqueles entre nós que não queriam não proliferaram e desapareceram nas areias do tempo.</p>
<p>Só que isso é no máximo uma explicação causal. É uma explicação para de onde vieram nossos desejos irracionais. Isso continua ainda não dizendo nada sobre como lidar com o problema de que para nós eles são muito reais e recheados de relevância. Note, eu perceber que não há qualquer motivo lógico para não pular do alto de um prédio não faz com que automaticamente eu queira fazer isso. Apenas me dá a clareza introspectiva de enxergar que os motivos pelos quais eu não pulo do alto de um prédio não são de forma alguma racionais. São baseados em sentimentos. Eu quero permanecer vivo, e não preciso de argumento ou justificativa para isso.</p>
<p>Agora, voltando então à questão do certo ou errado, ela é similar. Existe uma solução certa para a equação &#8220;2x+2=6&#8243; que é universal e eterna e não depende do que ninguém acha, que absolutamente, simplesmente é. Mas não existe uma solução logicamente &#8220;certa&#8221; para &#8220;devo matar outros seres humanos?&#8221;. Existem sentimentos sobre isso, sentimentos que todos compartilhamos em maior ou menos grau, mas que são únicos para cada pessoa. E esses sentimentos são o único fundamento possível para a consciência moral. Porque um grupo não sente, um livro não sente, a lógica não sente. Só quem sente são pessoas. E não querer matar os outros não é questão de lógica, é questão de sentimento. Buscar então projetar justificativas disso fora de nós mesmos leva a todo tipo de aberrações e besteiras.</p>
<p>Assim sendo, eu sugiro que não existe outra forma legítima de decidir o que é certo senão usar seus sentimentos, que lhe dizem o que lhe soa bom, aliados à sua razão, que lhe permite buscar compreender como o mundo funciona, assim como as conseqüencias de suas ações. Se isso calhar de coincidir com o que outros dizem, ótimo. Há concordância. Mas não *porque* alguém disse que tinha que ser assim.</p>
<p>E se isso não parece base para um sistema filosófico, não é mesmo. Porque bondade, como os religiosos não se cansam de dizer, NÃO É RACIONAL. Disso eu concluo que devemos fazer as pazes com o fato de que queremos (bem, alguns de nós) ser &#8220;bons&#8221; apesar de isso ser irracional, e não ser logicamente definível ou justificável. Os religiosos, por outro lado, tendem a concluir JÁ QUE NÃO É RACIONAL, vamos sistematizá-la, axiomatizá-la, dogmatizá-la, uniformizá-la, justificá-la, pasteurizá-la. Como? Isso é precisamente o oposto do que se deve fazer depois que se percebe que ser altruísta não é racional. O que você deve fazer é as pazes com o fato de que quer ser altruísta apesar de isso não ser racional e freqüentemente não no seu melhor interesse sob outros aspectos. E que em sendo irracional, não existe uma resposta &#8220;certa&#8221;. Existe o que você sente sobre isso. Assim como sobre um montão de outras coisas. Aliás, precisamente as que nos tornam humanos ao invés de robôs.</p>
<p>Então, sem nenhum sarcasmo, e falando seríssimamente, eu sugiro que você decida o que é certo usando sua consciência.</p>
<p>Saudações,<br />
Sergio</p>
<p>Adendo : Sobre o argumento &#8220;Comunistas são ateus, comunistas são maus =&gt; ateus são maus&#8221; não fazer sentido (que é p-&gt;q, p-&gt;r |- p-&gt;r (errado)), eu fui dar uma olhada sobre quando tinha escrito sobre isto no passado e achei, está <a href="http://oindividuo.org/2009/04/04/the-atheists-are-revolting/" rel="nofollow">aqui</a>. Agora, achei mas não reli, então não me lembro de quão extensamente falo sobre isso.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: Marcelo</title>
		<link>http://www.oindividuo.org/2009/07/12/o-fantastico-argumento-de-santo-anselmo/comment-page-/#comment-871</link>
		<dc:creator>Marcelo</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jul 2009 03:38:32 +0000</pubDate>
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		<description>Uma outra observação: você deturpa minhas palavras me acusando de ser um maria-vai-com-as-outras e que acho necessário alguém me dizer o que é certo. Ora, para alguém que gosta da lógica, você deu um salto meio grande, não? Em nenhum momento afirmei que é preciso ter as mesmas opiniões dos outros, ou que a liberdade de alguém escolher seus próprios princípios deva ser tolhida. Apenas acho prudente, pelo menos, procurar entender as diversas opiniões sobre um determinado assunto para, então, construir seus valores. A decisão de acolhimento ou não de uma idéia sempre será do indivíduo. Agora, se uma grande parte das pessoas tem uma mesma opinião, você não acha que é prudente escutá-la, que esse fato não coloca essa idéia no rol de decisão, principalmente quando se avalia assuntos que a lógica não determina?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Uma outra observação: você deturpa minhas palavras me acusando de ser um maria-vai-com-as-outras e que acho necessário alguém me dizer o que é certo. Ora, para alguém que gosta da lógica, você deu um salto meio grande, não? Em nenhum momento afirmei que é preciso ter as mesmas opiniões dos outros, ou que a liberdade de alguém escolher seus próprios princípios deva ser tolhida. Apenas acho prudente, pelo menos, procurar entender as diversas opiniões sobre um determinado assunto para, então, construir seus valores. A decisão de acolhimento ou não de uma idéia sempre será do indivíduo. Agora, se uma grande parte das pessoas tem uma mesma opinião, você não acha que é prudente escutá-la, que esse fato não coloca essa idéia no rol de decisão, principalmente quando se avalia assuntos que a lógica não determina?</p>
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		<title>By: Marcelo</title>
		<link>http://www.oindividuo.org/2009/07/12/o-fantastico-argumento-de-santo-anselmo/comment-page-/#comment-869</link>
		<dc:creator>Marcelo</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2009 18:02:28 +0000</pubDate>
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		<description>Como você sugere que eu decida o que é certo? Não é preciso decidir com base em alguma justificativa, mesmo que essa justificativa seja o próprio conceito do que é certo?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Como você sugere que eu decida o que é certo? Não é preciso decidir com base em alguma justificativa, mesmo que essa justificativa seja o próprio conceito do que é certo?</p>
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		<title>By: Sol Moras Segabinaze</title>
		<link>http://www.oindividuo.org/2009/07/12/o-fantastico-argumento-de-santo-anselmo/comment-page-1/#comment-868</link>
		<dc:creator>Sol Moras Segabinaze</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2009 17:45:53 +0000</pubDate>
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		<description>Legal. Concordo contigo, Sérgio.</description>
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