Archive for November, 2008

This Country Is A Trip

Sunday, November 16th, 2008

Estava eu em casa e começo a ouvir um barulho fantástico de milhões de motores se aproximando. Vai ficando cada vez mais alto. A princípio eu simplesmente continuei o que eu estava fazendo, mas depois de uns 5 minutos eu tive que ir olhar pela janela. Então eu vi isso :

Entre eu resolver olhar, de fato olhar, e finalmente pegar a câmera quando simplesmente não acabava foram bem uns 15 minutos. Foi uma pena eu não ter começado a gravar antes.

All The Leaves Are Brown But The Sky Is Still Blue

Tuesday, November 11th, 2008

Bem, após a demonstração de preview do inverno que tivemos no último vídeo, aqui vai um que mostra como está indo este meio para final de outono. Não se deixem impressionar pelo fato de estar ensolarado; está fazendo uns 10 graus lá fora.

É interessante como estações do ano, se você está no Rio de Janeiro, são um conceito praticamente tão alienígena quanto futebol americano ou esquilos correndo pelo parque.

Mas de fato, os ciclos por aqui são muito marcantes e você precisa ter, para começar, um guarda-roupa completamente diferente para cada parte do ano, e não faz qualquer sentido usar algo inadequado para a estação corrente. Experimente sair com sapatos comuns na neve, por exemplo. Não funciona. Da mesma forma, experimente sair com botas de neve no verão.

Psicologicamente, isso traz uma sensação de que coisas estão acontecendo e de que o mundo está indo para algum lugar, com ou sem você. :-)

Sim, Nós Temos Estações Do Ano

Monday, November 10th, 2008

Pra quem está no Rio de Janeiro e acha que 18 graus é frio, experimente sair de casa de manhã e estar mais frio do que dentro da sua geladeira.

A Ideologia do Cinismo

Wednesday, November 5th, 2008

Talvez tenha escapado ao Pedro que eu não disse que quero ir pra cama com o Obama, nem que o Obama é meu ídolo, nem que pelo Obama ter sido eleito agora andaremos todos de mãos dadas em direção à felicidade. Acreditar sinceramente que eu pense isso baseado no que eu escrevi teria sido mera obtusidade.

Mas como o Pedro não costuma ser intelectualmente obtuso, provavelmente ele sabe perfeitamente bem que não foi isso que eu disse.

A questão aqui me parece portanto ser que ironicamente o cinismo também precisa de uma ideologia, mesmo que meio que às avessas. Então se você quer demonstrar a sua superioridade exibindo enfado e ennui diante de tudo e de todos, se você está entre aqueles cuja resposta padrão é “whatever”, que é too sexy for this song e too cool for school, então coerentemente você precisa denunciar como ridículas e patéticas quaisquer manifestações de esperança e idealismo.

Esquizofrenicamente, estamos falando de alguém que simultaneamente em que denuncia a idolatria defende que existe um ser humano na terra (codinome “o papa”) que supostamente teria o poder de entrar em modo de infalibidade papal sempre que suficientemente inspirado e então transmitir a nós o dogma da semana ao qual devemos então nos curvar enquanto fazendo uma auto-lavagem cerebral para achar uma forma de acreditar – ou melhor, “entender” – internamente que aquilo ali é o certo.

Agora, eu não acho que nem sequer o Jabor imediatamente após ter escrito aquele artigo – e certamente não eu – aceitaria acriticamente qualquer coisa que o Obama dissesse. Certamente há pessoas que o fariam, e isso realmente é um erro. Mas não foi sua consciência que o Jabor depositou no Obama. Não foi seu julgamento ou sua independência de pensamento. Foi sua esperança. A esperança de que o Obama seja pelo menos um pouco do que parece que é, que ele seja uma pessoa idealista e decente e esclarecida tentando de alguma forma impedir que os Estados Unidos caiam nas mãos do obscurantismo fundamentalista. O mesmo obscurantismo fundamentalista que acredita em verdades reveladas e em aceitar obedientemente argumentos de autoridade. O mesmo obscurantismo que acha que se a ciência contradiz a autoridade religiosa, então naturalmente é a ciência que está errada. O mesmo obscurantismo que acha que sua moralidade alienígena e seus dogmas revelados devem se tornar lei.

Agora, naturalmente, se alguém ousa expressar uma opinião que vai nessa linha genérica, então deve constituir hate speech, não é? Afinal de contas, não é um discurso moderado e são como achar que os gays passarão o resto da eternidade sendo torturados no fogo do inferno por terem ingenuamente acreditado que a forma como fazem sexo não é da conta de ninguém.

Viva Obama

Wednesday, November 5th, 2008

Depois de ataques tão virulentos nem tão exatamente contra o Obama, mas contra o sentimento de esperança que de fato o cerca, vou ter que comentar alguma coisa.

O Obama de fato é algo revolucionário. Não por ser negro, ou relativamente jovem, ou não ter vindo de uma família milionária, ou várias outras coisas que o separam do perfil padrão para um candidato à presidência americana. Mas por ser tudo isso e não ostentar tais “credenciais” como se lhe dessem instantânea superioridade moral. Por recusar-se a se tornar um estereótipo ambulante de si mesmo ou de abstratas minorias oprimidas. Ao contrário de McCain, que de 15 em 15 minutos faz questão de lembrar a todos como foi um prisioneiro de guerra, Obama não parte do princípio de que ser vitimizado seja automaticamente meritório.

Aliás, pelo contrário. Ao invés de ficar choramingando, ele trabalhou muito duro para conquistar oportunidades que não vieram facilmente, para se tornar uma pessoa melhor e mais preparada, estudou com excelência em Columbia e Harvard, trabalhou por anos como advogado antes de se candidatar a senador.

Ele não está sendo eleito por ser um coitado. Ele não é o coitado eleito para a presidência com base no pensamento bizarro de que é bom ter lá alguém bem coitado porque assim saberá ter empatia e solidariedade com outros coitados, ou porque assim estamos de alguma forma “compensando” os coitados. Ele está sendo eleito justamente porque *não* é um coitado. Ele está sendo eleito por pessoas que querem na presidencia alguém melhor do que elas mesmas, alguém com mais força, com mais inteligência, com mais preparo, com mais esperança.

Naturalmente que é uma péssima estratégia depositar muitas esperanças na idéia de que o governo virá salvá-lo, ou que vai criar o paraíso na terra. Mas se por um lado o governo não pode salvá-lo, o governo pode com muita facilidade destruir a sua vida, e de fato fisicamente o faz em grandes partes do mundo. Mas até mesmo nos EUA, onde as opções realistas para o que um governo vai fazer são comparativamente mais limitadas, parece razoável acreditar que o mundo seria o mesmo hoje caso Al Gore tivesse se tornado presidente em 2000?

Talvez o entusiasmo de Arnaldo Jabor possa soar exagerado ou pueril. Mas sinto muito, realmente eu entendo exatamente os motivos dele. O Obama é um símbolo, um emblema, um canal para extravasar uma frustração colossal. Como Jabor observa, isso é uma questão menos visceral no Brasil, onde as pessoas tendem em geral a não levarem nada excessivamente a sério, mas se no Brasil isso é mais incomum, nos EUA existe de fato uma multidão de zelotas militantes munida de um arsenal inesgotável de verdades e certezas absolutas que querem impor à força a todos que for possível. Pessoas que acham sinceramente que estão fazendo um favor ao mundo ao tornarem suas opiniões e preconceitos sobre como a vida deve ser vivida em legislação.

Ironicamente, apesar de ter em massa o apoio de tais pessoas, McCain em si mesmo não é assim tão primário, e como tal claramente pareceu em vários momentos se envergonhar de suas próprias bases políticas. O ultra radical exemplo disso é a fenomenal Palin, que entre outras coisas é “pro-life” (o próprio termo já é ridículo) e quando perguntada sobre se achava que o aquecimento global era ou não causado pelo homem respondeu que “não era produtivo ficar apontando dedos, que muito mais importante do que dizer quem era culpado era ir lá e trabalhar duro para resolver o problema.” Ceerrttto.

Talvez o Obama não seja nem tão santo nem tão gênio como no auge de sua popularidade muitos parecem tentados a acreditar. Mas comparado com pessoas que querem mandar na minha vida com base em obscurantismo fundamentalista e ignorância militante, só posso mesmo dizer : Viva Obama!